8 de março de 2013

SOBRE RISCOS, FRACASSOS E AVENTURAS



“ Celine e Jesse se conheceram em um trem rumo a Paris e logo perceberam que se sentiam atraídos um pelo outro. Só que Jesse ia descer em Viena e, sabendo que eles provavelmente não se veriam mais, começou a tentar convencê-la a desembarcar com ele. “Imagina daqui a dez ou vinte anos, você casada. Só que o seu casamento não tem mais a energia de antes ”, disse.

“Aí você começa a colocar a culpa no seu marido. E pensa nos caras que encontrou na vida e nas histórias que podia ter tido com eles. Eu sou um desses caras!”. Ela ficou na dúvida e ele continuou. “Isso pode ser um favor gigante para você e seu futuro marido. Você não está perdendo nada e vai entender depois que fez tudo o que deveria ter feito. Sou só um fracasso. Mas no futuro você pensará que, mesmo assim, fez uma boa escolha.”

Peguei esses parágrafos da matéria da Gloss de fev/2013, intitulada “Amor para Guardar”, que aproveita o enredo de Antes do Amanhecer (1995) para contar a história de mulheres que souberam transformar o limão de um fora em uma limonada: perceber que valeu a pena viver aquela história. Que as coisas tem início, meio e fim. Que tanto a tristeza quanto a alegria tem fim.

Também já vivi romances passageiros e quando terminaram fiquei meio sem chão. Completamente sem chão, admito. Mas foram importantes para eu aprender a dar valor ao que realmente importa. Porque se hoje sei o que quero e espero de alguém em um relacionamento foi porque me arrisquei. Quebrei a cara. Me reinventei.

Ultimamente noto que as pessoas não têm mais coragem para se arriscar. Ou você desceria do trem para conhecer uma cidade com um desconhecido bonito? Ou você convenceria alguém a descer do trem contigo para andarem a esmo pela cidade? Por que nos tornamos tão covardes assim, afinal?

Nos tornamos covardes porque não admitimos nada que machuque, doa, incomode. A gente só quer o melhor, o maior, o mais rápido. Mas nem sempre isso é possível. Queremos ter controle sobre as situações, mas isso é impossível. Será que é tão difícil deixar as coisas simplesmente acontecerem?

Será que vale a pena mesmo deixar de viver uma história? Afinal, se um dia você estiver em um casamento, você vai ser aquele que aproveitou a vida de solteiro ou aquele que não fez o que deveria ter feito e desconta suas frustrações nos erros do seu passado? Eu sou aquela que não tem do que se arrepender.

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