Já não tenho tanta certeza se quero ouvir o que você tem a dizer. É que você pode me pegar desprevenida e me deixar sem argumentos bons. De repente eu não goste. Mas é a lei natural da vida: quem fala o quer, pode escutar o que não aguenta e como neste caso eu acho que já disse tudo o que quis, bem, nada mais natural do que escutar. E me sentir contrariada. Ofendida. Chateada.
Talvez eu ouça tudo aquilo que já estou careca de saber. Não vai surpreender, mas vai irritar da mesma maneira. Adiar o momento faz a chama da raiva dar uma acalmada. De repente faz você esquecer porque dói. Mas se eu estiver curada, para que deixar essa pauta voltar das cinzas? Recaídas neste caso não são benéficas. Estou sendo covarde, admito. Precisamos deste conflito, na verdade. Ou para irmos adiante. Ou para irmos a lugar algum. Ou para encontrar um caminho mais leve nesta estrada cheia de perigos.

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