Senão era para fazer parte da sua vida, por que me convidou, afinal?
Eu podia estar levando a minha vida sossegada, lendo meus livros e revistas, comendo meus brigadeiros gourmet, mas você não quis assim. Nem eu.
Porque se eu bem quisesse, poderia ter dito a verdade: eu sou simpática assim mesmo e de fato você é bonito, admito. Não estava flertando, me desculpa. O que pensei ao ouvir sua escolha minuciosa das palavras para não me assustar e me dizer que me achara interessante: por que não?
Não sei o que você esperava de mim, de verdade. Nem é minha culpa sua projeção. Sendo racional, eu entendo que da mesma forma que me achou interessante, eu posso ter deixado de ser ao seu ponto de vista. Mudar de ideia é uma regra do jogo, porém em alguma parte do processo eu ignorei as regras.
Se era para ser "liquid love" não deveria ter me pego pela mão e apresentado suas qualidades, seus defeitos, seus erros, seus acertos. Não deveria ter aberto a porta da sua casa. Sua casa. Por conta dela que nossos destinos se cruzaram em uma manhã de fim de inverno.
Um encontro feliz.
Ou infeliz.
É um questão de ver o copo meio cheio ou meio vazio.
Insisto em ver o copo meio cheio.
Eu não sou fácil.
Você não é fácil, admito.
Ontem a gente tinha boa vontade.
Hoje a gente tem indiferença.
Cadê aquela empatia dos velhos tempos? Seria possível resgatá-la em alguma parte do jogo sem regras em que resolvi brincar?
Enquanto os dias passam.
Eu sei que dói mas não mata.
O tempo vai passar.
Você vai ser tornar uma lembrança boa.
Um bom capítulo da minha história, mas que podia ter sido um livro, um filme.
O que você quis de mim, afinal?
O que você tanto procura, algumas certezas?
Perdão?
Expiar suas culpas por crimes que nem cometeu?
Mesmo que eu saiba as respostas, não vou lhe dizer.
Fui desconvidada da sua vida.

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