Tudo começou em uma madrugada. Numa mensagem de texto você me dizia que, entre outras coisas "achava que uma paixão arrebatadora está ensaiando retorno". Fiquei lendo caractere por caractere e obviamente escrevi "isso é hora para suspense?". Por um minuto a convencida aqui achou que eu podia ser a tal "paixão arrebatadora". Não. Era o teatro. Era tragicômico. Fiquei rindo por uns instantes, com o orgulho ferido de leve e o alívio de não ter que dar o fora por birra. Por medo. Me senti por um instante protagonista do Depressiva da Depressão.
Tempos depois, eu estava de bom humor e admiti para o autor da mensagem de texto que ora, veja bem: "jurava que eu era a sua paixão arrebatadora". Daí tenho como resposta: "Sério? Que imperfeita você é! Tão cheia de si...Bem, quem sabe um dia diga isso?...Você brinca e fala a verdade ao mesmo tempo...Não é tão impossível (se apaixonar por vc)".
Tirando a dubiedade, as falhas na interpretação de texto e deixando os mal entendidos de lado, reflitam: a gente envelhece e meio que fica com medo de se apaixonar, é isso? Ou é como se ficasse na memória apenas as lembranças ruins que o fim de uma paixão provoca? A lembrança do fracasso é tão viva e presente que nos impede de vivermos novas experiências, novos romances?
E as desculpas que a gente dá para não se deixar envolver: - a campeã é "não tenho tempo". Tem também a "não faz meu tipo". Mas quando a gente quer MESMO, sempre damos um jeito, não é verdade? Por que sempre ficamos com a herança maldita da mágoa, da decepção, da frustração e não tornamos vivas as recordações do que realmente importa: o carinho, a cumplicidade, a diversão?
O irônico é que o medo da decepção é tanto que passamos a deixar os sentimentos esquecidos em uma gaveta. Se faz de forte. Finge autossuficiência. Por que a gente não pode ser como as crianças, que deixam qualquer desavença de lado após uma briga e voltam a brincar, felizes (afinal a alegria de brincar é muito maior do que uma discussão)?
Porque somos adultos. Nos levamos a sério. E damos importância ao que nem importa tanto assim e esquecemos de valorizar o que realmente vale a pena.

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