Tem uma música do Flávio Venturini que chama "Máquina do Tempo". É óbvio que é uma letra e música lindas. E fiquei pensando a respeito. Se existisse uma máquina do tempo, eu voltaria para o dia que fui apresentada ao James, por exemplo. E teria evitado muito sofrimento. Mas não teria aprendido nada das coisas que sei hoje. Não precisaria da máquina para lembrar do que foi bom, porque a minha memória é boa. E o gosto dos dias felizes ao lado dele se tornaram mais presentes do que a raiva assassina que tive dele.
Também voltaria para o dia que me falaram a respeito do Pedro. Não teria me interessado e teria ido correr 10 km. Também teria evitado mais sofrimento. Mais uma vez não teria aprendido nada sobre amor, distância e espaço. E continuaria imatura. Incrível como o sofrimento faz a gente crescer. Mas no caso do Pedro, eu sofria porque queria sofrer. Era quase uma poeta romântica do século XIX. Como um bom capricorniano, ele é prático, me deu as regras do jogo, eu li, achei que seria capaz de jogar e falhei miseravelmente.
Como a vida não é só dor, eu voltaria para a tarde de primavera que conheci o Rodrigo. Faria tudo igualzinho. Ia pedir o e-mail dele sem querer querendo, ia escrever para ele sem querer querendo e íamos reviver as toneladas de telefonemas, SMS e e-mails trocados entre o fim de 2009 e o primeiro semestre de 2010.
Eu voltaria para as noites de Carnaval em MG e teria ficado até o dia amanhecer na rua as quatro noites, não apenas na terça-feira. Teria investido mais em festa e cerveja e menos em DR de um relacionamento que nunca aconteceu. Mas por incrível que pareça, o saldo foi positivo porque tive de andar 1000 km para aprender que não importa como as pessoas são, importa que elas querem se divertir com você, por mais nerd e desengonçada que você seja.
Voltaria para as tardes de verão que eu, meu irmão e os amigos dele jogávamos baralho e comíamos bolo de laranja que eu fazia dia sim, dia não.
Voltaria para a primeira vez que eu fui ao Outback. Nunca ri tanto na minha vida. Voltaria ao meu aniversário do ano passado. Poucas vezes na vida me senti tão querida.
Voltaria para o meu encontro com o Arthur. Beijá-lo ao pôr do Sol com a brisa soprando morna e suave evoca tudo que há de romântico em mim.
Voltaria para mais momentos felizes do que tristes, afinal: enfim, percebo que na real eu tenho boa vontade para tropeçar nas mesmas pedras do caminho e refazer a rota que tracei para mim ao longo desses anos. Existem muitos momentos para os quais eu voltaria, só falha a memória. É doce essa perspectiva de poder voltar no passado: é como se a vida não acabasse. Como se eu tivesse a chance de encontrar aquelas pessoas que eu deixei de ver. É só ilusão, mas sem um pouco de fantasia, como lidar com a dureza da vida?

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