Os
dias passam e num dia X a figura importante vai visitar o escritório e você não
vê, mas sabe que o objeto do seu desejo e sua concorrente se encontraram. E o
que você faz? Não
perde a oportunidade de alfinetá-lo, afinal, como ele ousa colocar seu melhor
perfume justo no dia em que ela vai lá? Ele,
sedutor que é (e dissimulado) diz que aquele perfume é para você, que tá nem aí
para fulana. E você ri. Sabe se lá se é de nervoso ou de puro deleite. Ele diz
isso olhando nos seus olhos, o corpo próximo demais do seu, correndo risco de
um flagrante iminente. (Lembre-se, vocês trabalham juntos). Mas ele não liga
para isso.
Dias
depois, vocês estão sozinhos e longe dos olhares alheios. Porém trabalhando. Ele não
tem a mesma leveza que você, está nervoso com o prazo de entrega de um projeto. É monossilábico. Curto. Grosso. De repente ele fica otimista, porque se dá conta
que vai conseguir entregar o projeto no prazo. Você relaxa. E faz tudo errado.
Porque você não sabe lidar com seus desejos. E pensa demais.
E interrompe o silêncio jogando na cara dele que ele estava bonito demais no dia que sua
concorrente foi ao escritório. Ele te olha estupefato. Passa a mão nos cabelos.
E decreta, com um sorriso frio:
-
Desisto.
-
De quê? – você pergunta, o mesmo sorriso nos lábios carnudos.
-
De você, minha querida!
Você
tem a oportunidade de passar a mão em seu rosto, segurar sua mão, prendê-lo em
um abraço, sufocá-lo com um beijo... Mas você apenas assente movimentando a
cabeça. Você não sabe, mas ele morre um pouquinho por dentro. Por causa da sua
miopia, que te impediu de ver que desde o começo ele sempre protegeu e cuidou
para que tudo fosse mais confortável para ti. Não que tivesse segundas
intenções. Empatia pura e simples. Agora não se queixe se ele for mais ríspido
com você do que o de costume: os cotovelos dele estão doendo. Por você. Um dia
há de passar, mas até lá aguente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário