2 de setembro de 2012

LIVE AND LET DIE (YOUR LOVE)


Depois daquele telefonema, aquela sensação de borboletas no estômago deu lugar a uma sensação que devo descrever como conforto. Eu me senti confortável em te receber de volta à minha vida. A ponto de perceber que a minha preocupação em constatar que eu não havia te magoado tanto quanto supunha parou de incomodar. Apesar do esforço (e depois da falta de) não nos encontramos. Eu não ia me esforçar para sair do trabalho mais cedo apenas para te ver e ouvir as mesmas desculpas esfarrapadas.

Eu estava certa. Sim, eu gostava de você. Eu não gostava era que desdenhasse da minha inteligência. Em um feriado, a gente se encontrou por acaso. Eu como sempre, de folga. Você trabalhando. Eu te dei uma gelada. (Na verdade te dei a ignorada do milênio). Você ligou de volta cobrando uma explicação e...Eu não atendi, mas não foi de propósito, foi porque simplesmente não ouvi o telefone tocar. Naquele mesmo dia nos encontraríamos de novo. Então conversamos. Segue o diálogo:

Você: Por que você não me atendeu?
Eu: Não ouvi o telefone tocar, a propósito, você não pode me telefonar do trabalho...
De cara fechada, você seguia, dizendo que eu estava muito brava.
Eu: Não estou brava, eu só não acho saudável te encontrar como se fosse uma consulta médica...
Você: Eu também não acho saudável, mas é que, de verdade, eu não tenho tempo.
Eu: Quando a gente quer, a gente arranja tempo, é só querer.
Você: Me entende, eu tenho que ajudar meu pai, meus pais me superprotegem, me controlam e...

(Pausa, a outra parte envolvida em questão tem 32 anos, e não 17, como você suspeitou)
Eu: Desculpe, você é homem, que papo é esse de superprotegido?

Você: Mas você também é (superprotegida)...
Eu: É outra história. Sim, eu sou, mas eu não vou entrar em conflito com minha família por causa de um cara que talvez não me mereça...
Você: Então não te mereço, não valho a pena?
Eu: Do jeito que você tem se posicionado até aqui, em relação a nós dois, não.
Não sei se hoje caberia um namorado na minha vida, não é o que eu tenho almejado, mas você sempre quer que tudo seja do seu jeito, no seu tempo. E as coisas comigo não podem mais ser assim.

Você: O que quer dizer? Acabou de dizer que não quer nada sério...
Eu:  Não põe palavra na minha boca, você entendeu o que eu disse. E para ser mais específica, se eu não valho um convite para um cinema ou um pagode, meu amigo, eu não valho nada para você.
Você (em choque): Agora você está colocando palavras na minha boca...
Eu: É um fato, você conduziu uma situação, gosta de mim, mas não quer correr o risco da escolha. No seu lugar, eu também estaria com medo.Na verdade, eu até escolhi.
Você: O que você escolheu?

Eu: Escolhi me afastar.Não vou perder energias em algo que não dá em nada.
Você: Não precisa ser assim...
Eu: Não é questão de precisar, é questão de que vai ser, no que depender de mim.
Neste momento, se considerando muito irresistível, me puxou para junto do seu corpo e me deu um beijo. Como eu nunca gostei discutir com alguém e logo em seguida me agarrar com a pessoa, me desvencilhei de você imediatamente.
Eu: Boa noite, a gente se vê por aí.
Você: ...

Tempos depois, em uma movimentada avenida de São Paulo, fiquei pensando sobre a possibilidade de ver um conhecido por ali e te encontrei. Desta vez ambos estávamos correndo. Diante do seu apelo, eu te dei um beijo no rosto, apressada. De uns tempos para cá, o destino sempre providenciava um encontro. Antes, quando eu queria te ver, não conseguia. Agora, sou brindada com encontros casuais. Como a vida é irônica, às vezes.

Depois desse dia não nos vimos mais. Não tenho raiva, mágoa, nada disso. É apenas uma história que eu deixei morrer. Live and let die.

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