Eu quero que seja fácil. Eu quero levar a sério cada uma das coisas que eu acho que devo fazer para me sentir mais realizada. Mas eu não levo a sério nem meu despertador. Coloco ele para tocar as 06h da manhã. E ele vibra implacável, me tirando do mundo dos sonhos turvos. Mas eu olho no visor e aperto "mais nove minutos". E fecho os olhos.
E ele vibra de novo, parece até que passaram nove segundos. E eu levanto derrotada. E é assim de segunda à sexta. E eu me pergunto se eu já não deveria ter me acostumado.
Daí eu chego no trabalho. E tem as tarefas bacanas. E as tarefas mundanas. E as tarefas mundanas são verdadeiras sanguessugas, porque elas roubam meu tempo. E às vezes não dou conta nem das tarefas mundanas. E Deus sabe que tento me organizar mas tem momentos que o cérebro quer se distrair. E eu dou a distração, lendo o G1, o blog X, qualquer coisa. E cadê o foco?
Não queria ser a escrava do tempo. Mas o tempo me escraviza. E o dia termina. Tarde. Recomeça cedo. E tudo continua da mesma maneira. Quero fazer as tarefas bacanas. Quero me fazer mais feliz. E reconheço que, se não posso ser responsável pelas tarefas mundanas, quem me dará as tarefas bacanas para executar? O que eu preciso? Um dia de 48h? Um pouco de foco? Admitir que não dou conta? Sou orgulhosa demais pra isso, desculpe. Ai, eu lembro da Britney choramingando em Overprotected: Eu preciso de tempo! Eu lembro da Dido choramingando em Sand in my shoes: Eu não tenho tempo!
Preciso, não tenho, como faço?

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