Eu tenho que chegar.
Eu tenho que fazer.
Preciso dar o melhor de mim em tudo que faço.
Mesmo sabendo que o que venho fazendo nos últimos tempos não é para mim.
Tenho que ignorar fome, sede, vontade de ir ao banheiro.De dormir.De fugir.
Suportar a saudade.
Engolir o choro.
Explodir em gargalhadas.
Falar o necessário.
Fazer o que deve ser feito.
Mesmo que as mãos se cortem no A4, os dedos se espetem nos grampos, os toners manchem minhas roupas, as pernas esmoreçam, os pés latejem de dor.
Eu.Preciso.Chegar.
Eu paro.Eu ando.Eu rio.Eu converso.Eu intimido. Me intimidam.Me criticam.Eu ameaço jogar a toalha, mas eu permaneço. Permaneço enquanto a vida pulsa. E deixarei de fazer tudo isso quando a minha vida findar.
Eu esqueço.Eu recordo.Eu viajo, às vezes sem sair do lugar.
Eu finjo.Eu minto.Eu omito.Tudo para te proteger, te blindar, te prender em sua redoma invisível.
Você não reconhece.
Eu reconheço.
Eu peco.Eu erro.Eu vacilo.
Eu acerto.
Me perco, me acho, te acho e continuo ali, teimando, insistindo, sempre contestando.
Eu não aceito "não" sem um bom argumento e mesmo assim ainda tentarei te convencer.
Eu guardo.Meus sonhos.Meus planos.Anotados em agendas, arquivos e no celular.
Eu vivo. E deixo viver. Até o deadline.
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