Faz pouco mais de dois anos que nos separamos.
Que colocamos um ponto final na nossa história bonita, como bem disse um amigo em comum. Eu sempre vou ficar impressionada com essa atitude minha, de te mandar embora.
Eu que sempre prometi a você não abandoná-lo, mas você foi longe demais.
E o fardo ficou pesado demais para suportar.
Aliás a gente já não estava se suportando, verdade seja dita.
Naquela época eu não saberia dizer mas hoje, tempos depois, eu me sinto aliviada. Não sinto tanta raiva de você como senti um dia. Eu nunca senti raiva.De você. Senti foi uma frustração imensa quando eu gritei no seu ouvido que acabou e você muito secamente me disse: - então tá!
Foi como uma anestesia.Eu não sentia.
No outro dia você me ligou e perguntou:
- Você tem certeza que nós terminamos?
- Absoluta.
“Dos nossos planos é que tenho mais saudade”.
Nos primeiros dias eu senti um imenso alívio porque meu telefone não vibraria mais e do outro lado da linha eu escutaria uma criatura desconfiada me perguntar:
- Aonde você está?
- Com quem?
- Por quê?
E no final, sempre uma ordem:
- Sai daí agora! (que eu nunca obedeci).
Quando você me desejava que eu fosse muito feliz, era óbvio que não era de coração.
Eu tive a audácia de te deixar, imagine! Sofrer, sofrer de chorar pelo fim eu não sofri.
Já sabia que a gente não se amava mais faz tempo, a gente só tinha medo demais para admitir um para o outro, porque se tinha uma coisa em que a gente acreditava muito, era no amor que a gente nutriu um pelo outro enquanto estivemos juntos.
Muitas vezes eu me sentia mais uma posse do que uma pessoa ao seu lado. Como um punhadinho de argila que você foi moldando, construindo...
...Se você gostava de mim de um jeito, por que me lapidar, como um diamante bruto?
E para defender minha personalidade, entramos em rota de colisão.
Para defender os meus amigos.Minha família.Quem quer que fosse. A sensação que eu tinha é que você parecia odiar todo mundo que me amava, de certa forma.
Saiba que eu escolheria eles (família e amigos) tantas vezes fosse necessário.
Sempre soube do seu universo paralelo.Um mundo onde eu nunca seria convidada a pisar e francamente, não fiz questão. Fechei meus olhos para seus deslizes, suas traições, suas falhas. O que me importava era a qualidade do nosso relacionamento, de verdade.
Quando isso começou a degringolar, eu liguei o alerta amarelo.
O dia que senti mais pena de mim foi quando você me deu um gelo após eu sair da sala de cirurgia: - você só ligou para perguntar um telefone qualquer e nem quis saber como eu estava. Aquilo me matou, ali eu soube que não podia mais contar com você e fiz o que sempre fazia: - chorar! (Aliás o segundo semestre de 2008 eu estava de dar pena. Como eu era infeliz, como eu comia para tapear a ansiedade, como eu estava cansada.Contrariada).
Uma das poucas coisas que ainda me animavam era ir à faculdade (quando eu não entrava em crise e chorava uma noite inteira seguida) e meus amigos.
Não sabia dizer se estava pior com você.Ou sem você.
Só me senti segura para terminar porque a gente não se via mais com a mesma freqüência e eu estava acostumada a sua ausência.
Admito que os primeiros dias foram estranhos.
Foi como saltar no vazio.
Ia da compaixão à raiva. Do medo a coragem.Da dor a alegria.Às vezes em um mesmo dia.
Foram necessários dois anos inteiros se passarem para eu me sentir como sinto hoje:
- inteira.
Como eu disse, nunca senti raiva de você. Hoje eu sei que não podemos ser amigos porque há uma sutil diferença na maneira de enxergarmos o mundo ao nosso redor e os fatos.Simples assim.
Muita gente pode não acreditar, mas nós fomos muito felizes juntos e em alguma parte do processo sonhamos com uma vida no litoral, longe do caos, da correria, com tempo apenas para nós mesmos.
Hoje eu entendo tanta coisa que não entendia naquela época e não mudaria uma vírgula em nada do que fiz. Ia ser mais fácil se você parasse de ser mais santo do que o próprio Cristo, mas se era tão difícil assim falar a verdade para mim, gostaria que soubesse que eu sempre soube. E descobrir foi um dos motivos do nosso fim.
Não sei quando aconteceu mais um dia acordei e reconheci que você não foi só o vilão.
Você me ajudou, cuidou, protegeu. Seria injusto eu desmerecer tudo isso. Logo eu que sempre digo que não podemos desmerecer o que foi feito de legal na primeira mancada
que a pessoa dá.
Eu sei que você ficaria mais feliz se alguém te falasse que eu tô na pior, mas isso se chama, na melhor das hipóteses, dor de cotovelo. Esse post não foi para lavar roupa suja.Não foi para fazer mea culpa.
Não existem fantasmas. Não existe mágoa. Muito obrigada por ter me desconstruído. Por ter me deixado mais forte. Por me fazer melhor do que eu nunca fui.
Eu não teria conseguido isso senão fosse você.
Muito provavelmente eu seria a mesma imatura e frívola de sempre.
Obrigada por me ensinar a perder. A te perder aos poucos, para que no fim a dor não fosse tão lancinante. Se um dia houver um encontro, que a gente saiba reconhecer o quão importante fomos um para o outro e que não haja hostilidade, apenas aquele calorzinho confortável no coração.
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