Um dia desses, após ver mais um desses acidentes de trânsito, meu coração ficou apertado.
Eu fiquei imaginando se por acaso, você era a vítima.
Deu medo.
Te dei um perdido porque você tinha desculpas esfarrapadas demais para sair comigo e como agora eu sou uma mulher que prezo pela qualidade de vida, como diria a sábia Aninha, simplesmente saí da sua vida.
Fácil não foi.
Difícil ficar bancando a durona, a blasé, a fodona.Quando tudo que eu queria era te abraçar, ouvir a sua voz doce sussurrar coisas amáveis no meu ouvido.
Passaram-se uns três meses sem nos falarmos até que um dia eu te vi na rua e...Me escondi atrás da banca de revistas, fingindo não te ver.
Típico de uma pirralha!
Para meu azar você me viu, eu percebi que não ia embora e saí do meu esconderijo.Eu vi a porta do carro se abrir e me ouvi de cumprimentando e te mandando um beijo estalado.
Senti meu cérebro maquinando planos de encontrá-lo mais tarde.
E ouvi a voz da razão gritar "ele não quer você, para de se esforçar, ok?"
Então sexta-feira a tarde meu telefone vibrou e no visor reconheci o seu número. Atendi.Eu sabia que estava com saudade mas quando escutei o timbre da sua voz notei que estava era morta de saudade.
Fui educada com você.Doce até.
Fiquei feliz e confusa.
Ainda estou assim.
Disse nos veríamos em breve.Não menti.
Sempre que marcamos alguma coisa, deu errado então não vou contrariar o destino.
Quando Deus (e nossas agendas) quiserem, a gente vai se ver.
Eu não tenho pressa.
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