Que eu me lembre, nunca brinquei de “sim, não, talvez” (aquela brincadeira que você não pode dizer essas três palavrinhas mais de uma vez porque perde o jogo, senão me engano).
Em meados de 2009 a palavra que mais ouvi foi “não”.
E a palavras que mais disse, também.
Eu ouvi “não” do Pedro, o meu ex-affair que sofria de compromissofobia mas se redimiu e está namorando (outra mulher, que fique claro).
Eu ouvi “não” e alguns insultos e puxões de orelhas junto de algumas pessoas quando estávamos desenvolvendo nossa pesquisa de TCC.
Até brincava e dizia: faça como o João, diga não! (João é coordenador de um curso de comunicação em uma universidade paulistana que não citarei o nome. Quando liguei para ele para uma possível autorização para aplicar a pesquisa de mercado lá, ele foi curto e grosso.
E eu muito babaca ainda argumentei: - por que não?
No que ele respondeu: - é não, e ponto.
Engoli em seco, não tinha muito tempo para questionar nada mesmo.
Tempos depois, na definição de entrevistados para o projeto editorial aconteceu de eu ter de ligar para alguém que havíamos limado por falta de tempo (sim, erramos em não mantermos mais contato, etc).
Bem, a pessoa disse o óbvio para mim: - não!
Outra vez não havia tempo hábil para abaixar a cabeça.
E o não acabou virando vários “sim” de uma maneira tão absurda e surpreendente que eu me espantei!
(motivo: escrevi para todos os contatos que eu lembrava falando do projeto e as coisas foram acontecendo).
***
Eu ouvi um talvez.
Talvez é uma palavra dúbia.Te faz criar esperanças, faz quem diz ganhar tempo, te levar na conversa.Dúvida eterna.
Quem me deu esse talvez foi o Fernando, também coordenador de um curso de comunicação em uma universidade paulistana, que sempre que eu ligava cobrando uma posição, dizia que talvez.
Foi assim até que o talvez acabou virando não e eu perdi o prazo.
Diga talvez, mas dê a resposta conclusiva antes que seja tarde demais.
***
Eu disse não a quem quis se aproximar de mim.
As propostas de emprego que eu julgava não dar conta.
A preguiça, a letargia, a tristeza.
Sempre direi não toda vez que você insistir em pedir para se aproximar.
Não insista.
***
Eu ouvi muitos “sim”.
Foram esses “sim” que tornaram possível, por exemplo, a minha existência.
Só isso explica o fato de eu ter sido concebida.
O fato de eu ter ganho uma bolsa de estudos.
Os sete anos que saí da casa dos meus pais dependeram do “sim” que eu mesma me dei em contrapartida ao “não” que meus pais deram.Eles não apoiaram, mas não impediram.
Ficar em São Paulo para estudar Design e conhecer, aprender, me divertir e conviver com tantas pessoas legais (e outras pero no mucho).
Esses “sim”, os que eu dei, e os que eu ouvi, foram fundamentais.
***
Talvez não seja uma questão de “sim, não, talvez”. São as escolhas que te oferecem, ou que você oferece aos outros que no fim faz toda a diferença.
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