25 de agosto de 2011

INCÓGNITA

Dia desses você me ligou e disse que se lembrava do tempo que eu pintava as unhas do pé de Marina, da Impala (é um esmalte azul claro, manja?).
De tantas coisas para se lembrar de mim, vai lembrar logo dos meus pés?
Você é meio exótico, admito.
Pena que a minha memória é boa.


Porque eu consigo lembrar do primeiro dia que nossos olhos se cruzaram, as palavras que nós trocamos, as gentilezas que vieram a seguir, o plano mirabolante que bolei para ficar cinco minutos do seu lado.


Eu lembro do primeiro beijo.
Eu lembro do último beijo.
Eu lembro que fui eu que saí fora.
Eu lembro da minha indelicadeza e pior do que isso, eu lembro da sua tristeza.
Eu sei que a gente até gostaria de ficar junto, mas a gente tem medo demais pra fazer isso e não quer correr o risco.


Obviamente são muitas lembranças, que eu espero que se tornem menos vívidas com o passar do tempo.
Mas o que me deixa mais intrigada é por que tanto fetiche com os meus pés?
Eles são horríveis.Sim, graças a Deus eu tenho dois pés sadios, mas esteticamente falando, são feios, ok?
Mistério...



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