9 de maio de 2012

NAKED


A gente se julga tão moderninho, tão hype, daí acontece um fato que faz a nossa máscara cair por terra. Se você navegou na internet ou viu TV nos últimos dias já percebeu que o novo assunto do momento é a nudez da atriz Carolina Dieckmann. O jornalismo de celebridades adorou porque:
1) é um furo
2) Babi Rossi careca já deu, né?

Mas enfim. Uma ótima oportunidade para ver o quanto somos hipócritas, retrógrados e um pouquinho vingativos. A imprensa que cobre celebridades adora dizer que Carolina ficou com a pecha de antipática depois de processar o Pânico. Ninguém lembra de comentar se ela é uma boa atriz ou não, mas gostam de comentar sobre o quanto ela engordou ou emagreceu, quantos paparazzo ela destratou, dentre outras coisas que não vão mudar a vida de ninguém.

Os diretores de redação das revistas masculinas devem ter ficado arrasados. Os inimigos devem ter se deliciado. Os amigos devem estar de mãos atadas. E mesmo que as fotos saiam do ar, elas ficaram eternizadas para sempre. Males desse admirável mundo 2.0.

Há quem defenda que o vazamento dessas fotos seja jogada de marketing. Se for, acho um tiro no pé, porque vai contra as palavras de uma mulher que sempre disse que não posaria nua em respeito aos seus filhos. Se ela foi chantageada, acho que fez bem em não pagar ao estelionatário, pois corria o risco de virar uma bola de neve. O cara pede 10 mil hoje, dai outro dia ele volta e pede 20 mil. Situação absurda. 

O que eu acho engraçado é que, se ela estivesse fazendo algo comprometedor, tipos dando uma de Winona Ryder e roubando ou ainda transando em um local público, tudo bem, o rebuliço se justifica. Mas ela está apenas nua, fazendo pose. Em um país sempre lembrado por querer despir suas musas no Carnaval. Ou em revistas. Curiosamente, Carolina é uma dessas musas que o país sempre quis despir. 

Dizem que Carolina está abatida. Também não é para menos. Mas eu acho que esse episódio não deve mudar quem ela foi até aqui. Ela não vai perder o emprego por conta disso. Óbvio que uma crise familiar se fez presente, mas nada como um dia após o outro, com uma noite no meio. Ainda falando de Brasil, logo param de falar desse assunto. Esquecem. E a vida volta a ser como antes. Mas acho que Carol devia adotar o bordão de Suellen, de Avenida Brasil: "Meu corpo é esse e a pista é nossa". E parar de ficar se martirizando, até porque arrependimento não previne, tampouco remedia.


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