7 de maio de 2012

THE SUMMER IT'S OVER


O verão foi embora. Meus vestidinhos leves, minhas rasteirinhas deram lugar a uma sisuda jaqueta de couro, cachecol e luvas. Isso porque o inverno não chegou ainda. Mas não vamos falar muito sobre o tempo, deixo isso para os meteorologistas. Meu cabelo está mais curto ainda, me sinto entediada há tempos. Há tempos também não nos víamos. 

Quinta-feira passada, por volta das 19h30 da noite, nos encontramos. Você estava com a barba por fazer e eu queria chegar logo em casa. Mas sempre que te vejo, a vontade passa imediatamente. Porque eu gostaria que o trajeto Vila Ema - Metrô Belém durasse para sempre.

E eu, que tinha 20847 planos para colocar em prática no dia que o destino nos colocasse frente a frente de novo vi um a um ir pelo ralo. Não te disse nada, nem um "olá" desajeitado. 
Fiquei feliz em te ver, saber que você está bem, está trabalhando, está aparentemente saudável. Quer dizer, você está usando óculos - talvez não esteja tão sadio assim...Mas miopia não mata!

Gostaria de saber desde quando me tornei tão covarde. Ou tão blasé. Uma parte de mim acha que eu deveria te dar um voto de confiança e acabar com esse impasse. A outra parte acha que, mesmo sabendo da certeza do não, eu não deveria me arriscar e deixar as coisas como estão. (Nota: admito que você ficou bonito de óculos e barba por fazer)

Bem, você tem o poder de tornar a viagem mais curta. Deve ser porque eu me distraio te olhando. Só pode. Daí meus pensamentos viajam para aquela tarde de verão em que nos conhecemos. Em que nossos olhares se perderam, e a nossa voz também, diga-se de passagem. Mesmo sem trocar uma única palavra, parecíamos tão íntimos. E hoje parecemos dois estranhos, desviando o olhar o tempo todo. 

Se eu pudesse, eu recuperaria a cumplicidade daquela tarde de verão, em que você me disse que eu estava fugindo de você. Errado, se eu pudesse, eu correria. Para você. E deixaria a minha recente frieza de lado. Mas nesse momento, enquanto vou embora e te deixo para trás, mais uma vez, eu canto you're beautiful, do James Blunt: -  e eu não sei o que fazer, porque nunca vou ficar com você.



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