Queria ser daquelas mulheres elegantes que anda de peep toes como quem anda de Havaianas. Usaria chemises e peep toes altissímos e viveria com a pele bem feita. Aquele tipo de mulher que os homens são loucos para namorar e todas as mulheres querem ter como amiga. Queria ter olhos verdes e 1, 80 m de altura.
Mas a realidade é que só me visto de jeans e camiseta, vivo de tênis, nunca encontrei uma base que combine com meu tom de pele, intimido os homens (aqui cabe uma pergunta: por que intimido?) e as mulheres não querem ser minhas amigas. Tenho olhos castanhos e 1, 59 m de altura.
Quando era criança, gostaria de ter pernas grossas e cintura fina. Pelo menos isso eu consegui, graças a genética!
Gostaria de ser esse tipo de gente que sabe identificar bons e maus atores. Que gosta de filmes de arte. Que gosta de filosofia. Que só ouve bandas indie. Mas não sou assim. Quase não assisto filmes, sejam eles de arte ou não. Até me esforcei, mas não curto filosofia. E ouço qualquer tipo de música.
Queria ser disciplinada e fazer mais exercícios, mas meu cansaço não deixa. Ter barriga chapada, mas tenho uma barriga pochete mesmo. Sei que não devo, mas não resisto aos doces. Queria ser mais racional e menos passional. Acordar no dia sem estar morrendo de sono. Não me preocupar tanto com tudo. Apenas viver e aproveitar cada momento de riso e ignorar as dificuldades do dia a dia.
Saber dançar. E dançar como se não houvesse amanhã. Ter um carro, de preferência um SUV e cair na estrada. Dirigir sem rumo. Descobrir cada paisagem que meus olhos ainda não viram e surpreendê-los. Saber cantar. Cozinhar. Nadar. Andar de bicicleta.
Engraçado que me aceito sendo preguiçosa no que diz respeito aos exercícios físicos. Com a barriga pochete. Degustando brigadeiros. Sendo passional. Morrendo de sono. Preocupada com tudo. Rindo. Chorando. Dançando mal. Cozinhando bolos timidamente.
E sigo nessa pequena batalha de ser feliz como sou. Ou como eu deveria ser. Até o dia em que darei meu braço a torcer e aceite de vez minhas escolhas.

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