8 de maio de 2012

SINGLE LADY


Antes de começar os trabalhos eu preciso explicar porque escolhi essa foto para ilustrar o post de hoje: eu vi um certo deboche na expressão dessa noivinha que faz uma prece, como se estivesse suplicando "me mandem um par, por favor". Bom, pelo menos eu tive essa sensação ao ver esta imagem, se fosse acha que eu viajei, me desculpe.

Lendo este post do "Eu lia, tu lias" fiquei lembrando de um tempo em que eu quis um namorado desesperadamente. Isso foi em meados de 2007. Minhas queridas amigas Priscilas tinham começado a namorar simultaneamente. Eu estava muito feliz por elas (obviamente), mas comecei a me sentir em desvantagem, chateada. Digamos que era uma "invejinha nude". E para finalizar o "cão da depressão" as coisas no meu trampo estavam chatas que só vendo, com meu chefe fazendo da minha vida um inferno.

Tempos depois, eu engatei um namoro (também!). Eu deveria estar feliz, exultante, pulando de alegria e prepotente como só uma leonina sabe ser. E estava. Os dias foram passando e as partes chatas começaram a ficar mais importantes que as partes boas: - meu querido (ex) namorado tinha um ciúme absurdo de mim. Hoje vejo que dava umas mancadas incríveis, porque eu não via maldade nas coisas que eu fazia. E não percebia que, Deus, jamais imaginei que usaria esta expressão, mas vamos lá: - tínhamos gênios incompatíveis! 
Não era uma afinidadezinha ali, outra acolá que iria remediar essas diferenças irreconciliáveis!

Onde quero chegar, afinal? Poderia ser fatalista e achar que estava escrito que iria ter este relacionamento de qualquer jeito, mas se eu estivesse bem e não tão carente quanto eu estava, será que eu teria me permitido viver este namoro? I don't think so. Por quê? Passaram-se três anos desde o fim do meu namoro. Nova empresa, novos amigos de trabalho e alguns colegas botando pilha porque eu não tinha namorado e talz. Tem dias que você está bem, mas em outros dias a carência te encontra e ela se recusa a sair do seu lado, por mais que você resista. Nunca vou saber se foi o tal do amor próprio ou se foram a falta de qualidade dos candidatos, mas eu não sucumbi a tentação.

Curiosamente, as queridas Priscilas haviam se casado. Eu deveria estar desesperada, arrancando os cabelos, implorando para que bordassem meu nome na barra de seus belos vestidos brancos, mas não estava. Outra vez estava feliz por elas. Eu não tinha mais aquela ansiedade por ter um par. Até porque eu já tive. De repente eu percebi que desde meados de 2005 eu não sabia mais o que era ser solteira. E principalmente, não ter uma amizade colorida para aliviar os momentos de solidão.

Namorar é saudável, desde que as duas partes envolvidas estejam interessadas em somar, não em podar e impor uma série de coisas estapafúrdias. Aproveitar a solteirice também é saudável. É ótimo poder ir para balada e ficar flertando a esmo, sem medo de ser marcada no facebook no dia seguinte e se ver em maus lençóis. É bom fazer planos para si mesma e não ficar esperando com os dedos cruzados que o seu parceiro (a) aprove. E se sentir culpada (o) porque ele não aprovou seus planos. Daí você me fala de individualidade e talz, mas sem perceber, vocês deixam de ser dois e viram "um" (este fenômeno é tipicamente feminino). E isso é perigoso.

Nossas tias entram em desespero porque estamos solteiras. Mas nossas tias ainda acham que os homens devem ser provedores e nós, mulheres, dependentes deles. Os tempos mudaram. Hoje as mulheres, na maioria das vezes, não precisam de um macho alfa provedor para garantir o seu sustento. Ufa! 
Diante desta contestação, por que ainda há tanto desespero diante de uma mulher solteira?
Se casamento ou relacionamentos estáveis fossem garantias de felicidade, minhas mães ainda estavam casadas. 

Eu não quero um anel no dedo, como a Beyoncé canta em "Single Ladies". Não acho que esteja faltando homem, como diz os versos de uma música que está na trilha sonora da novela Avenida Brasil. Acho que está faltando boa vontade tanto de homens e mulheres, que não se entendem. Agora, se você acha que uma mulher precisa estar em um relacionamento para ser feliz, me desculpe. Eu não acho.

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